{"provider_url": "https://www.jarinu.sp.leg.br", "title": "Desde 1949 a Casa do cidad\u00e3o jarinuense", "html": "<p>A hist\u00f3ria de Jarinu \u00e9 um testemunho de f\u00e9, resili\u00eancia e progresso. Como tantas cidades do Brasil, nossa trajet\u00f3ria come\u00e7ou em torno de uma capelinha, s\u00edmbolo da simplicidade e da espiritualidade dos pioneiros.</p>\r\n<p><b>Os prim\u00f3rdios e a ocupa\u00e7\u00e3o bandeirante</b></p>\r\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o chamada Zona Bragantina remonta ao s\u00e9culo XVII, com a penetra\u00e7\u00e3o de bandeirantes vindos da antiga Vila de S\u00e3o Jo\u00e3o de Atibaia. Documentos de 1650 j\u00e1 registravam a exist\u00eancia de diversas fazendas na regi\u00e3o, moldadas por pioneiros como Sebasti\u00e3o Serreto e Jo\u00e3o Viegas (1763), al\u00e9m de nomes como Domingos de Camargo e In\u00e1cio de Godoi Cardoso.</p>\r\n<p><b>O fundador Louren\u00e7o Franco de Camargo </b></p>\r\n<p>O Capit\u00e3o Louren\u00e7o Franco de Camargo \u00e9 reconhecido como o verdadeiro fundador de Jarinu.</p>\r\n<p>Em 1786 foi nomeado Capit\u00e3o do Bairro de Campo Largo (nome primitivo de Jarinu).</p>\r\n<p>Em 1796, o censo registrava apenas 156 habitantes e 35 \"fogos\" (resid\u00eancias).</p>\r\n<p>J\u00e1 em 1807, em um ato de devo\u00e7\u00e3o, o Capit\u00e3o e sua esposa, Dona Rita de C\u00e1ssia de Morais, doaram as terras para a edifica\u00e7\u00e3o da Capela de Nossa Senhora do Carmo.</p>\r\n<p><b>De Campo Largo a Jarinu</b></p>\r\n<p>O povoado cresceu em torno de sua f\u00e9. Em 1842, a localidade foi elevada \u00e0 categoria de Freguesia (Distrito) de Atibaia. A mudan\u00e7a oficial para o nome Jarinu ocorreu 69 anos depois, em 29 de setembro de 1911, para evitar confus\u00f5es postais com outras localidades hom\u00f4nimas.</p>\r\n<p>Origem do nome sempre gerou certa discuss\u00e3o. A maioria dos historiadores concordam que o termo \"Jarinu\" tem ra\u00edzes tupi e, embora existam varia\u00e7\u00f5es de tradu\u00e7\u00e3o, como \"Campo Largo\" ou \"Rio das Palmeiras\", o significado adotado \u00e9 \"Palmeira Preta\", em uma alus\u00e3o \u00e0 palmeira jarina, existente apenas no extremo norte do pa\u00eds e nas Guianas.</p>\r\n<p><b>O legado pol\u00edtico e econ\u00f4mico</b></p>\r\n<p>A pol\u00edtica regional foi marcada pela figura do Coronel Jos\u00e9 In\u00e1cio da Silveira\u00b9, que reconstruiu a capela matriz com recursos de sua fazenda e representou a regi\u00e3o no Partido Republicano em 1877, ao lado de nomes como Campos Sales e Francisco Glic\u00e9rio. Economicamente, a cidade destacou-se pela pujan\u00e7a cafeeira, chegando a registrar, em 1929, 60 mil p\u00e9s de caf\u00e9 em uma \u00fanica propriedade.</p>\r\n<p><b>A emancipa\u00e7\u00e3o e o Poder Legislativo</b></p>\r\n<p>O desejo de autonomia culminou em um plebiscito em outubro de 1948. A emancipa\u00e7\u00e3o foi selada pela Lei n\u00ba 233, de 24 de dezembro de 1948, sancionada pelo governador do estado, Adhemar de Barros.</p>\r\n<p>A instala\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio ocorreu oficialmente em 17 de abril de 1949, mas foi em 19 de abril de 1949 que a hist\u00f3ria democr\u00e1tica de Jarinu ganhou seu cap\u00edtulo fundamental: a realiza\u00e7\u00e3o da primeira sess\u00e3o da C\u00e2mara Municipal.</p>\r\n<p><b>A primeira sess\u00e3o</b></p>\r\n<p>A primeira sess\u00e3o legislativa da hist\u00f3ria de Jarinu foi um marco de organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e administrativa para o rec\u00e9m-criado munic\u00edpio. Na tarde da ter\u00e7a-feira, <b>19 de abril de 1949</b>, \u00e0s <b>17h00</b>, no Sal\u00e3o Nobre da C\u00e2mara\u00b2.</p>\r\n<p>A sess\u00e3o foi aberta e presidida por <b>Irineu Dam\u00e1sio de Oliveira</b>, que teve como primeiro secret\u00e1rio o vereador \u00c2ngelo Bernucci e como segundo secret\u00e1rio o vereador Orlando Maur\u00edcio Zambotto.</p>\r\n<p>Al\u00e9m dos componentes da Mesa compareceram os vereadores Bruno Marcos Censi, Carlos Franco Penteado, Euclides Soares de Moura, Francisco Perini, Jacinto L\u00facio do Prado, Jos\u00e9 Bernucci Neto, Jos\u00e9 \u00c2ngelo Malerba, Pedro Contesini, Rico Manara e Silvano Lorencini.</p>\r\n<p><b>Primeiras elei\u00e7\u00f5es internas</b></p>\r\n<p>Ap\u00f3s verificar o qu\u00f3rum legal, o presidente realizou elei\u00e7\u00f5es para definir cargos de lideran\u00e7a e as comiss\u00f5es permanentes, todas com vota\u00e7\u00e3o expressiva (11 votos cada):</p>\r\n<p><b>A vice-presid\u00eancia ficou com</b> Jos\u00e9 \u00c2ngelo Malerba. Tamb\u00e9m foram formadas as Comiss\u00f5es Permanentes da Casa.</p>\r\n<p><b>Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a, Legisla\u00e7\u00e3o e Reda\u00e7\u00e3o:</b> Composta por Pedro Contesini, Silvano Lorencini, Jacinto L\u00facio do Prado e Rico Manara.</p>\r\n<p><b>Comiss\u00e3o de Higiene, Cultura, Assist\u00eancia Social e Servi\u00e7os P\u00fablicos:</b> Composta por Jos\u00e9 \u00c2ngelo Malerba, Bruno Marcos Censi, Euclides Soares de Moura e Carlos Franco Penteado.</p>\r\n<p><b>Comiss\u00e3o de Finan\u00e7as e Or\u00e7amento:</b> Composta por Jos\u00e9 Bernucci Neto, Orlando Maur\u00edcio Zambotto e Francisco Perini.</p>\r\n<p><b>O primeiro Projeto de Lei (PL n\u00ba 01)</b></p>\r\n<p>A primeira grande decis\u00e3o administrativa enviada pelo Executivo (prefeito Guilherme Zanoni) foi a autoriza\u00e7\u00e3o para um empr\u00e9stimo junto ao Tesouro do Estado no valor de <b>150 mil cruzeiros\u00b3</b>. O projeto foi lido, votado por unanimidade para delibera\u00e7\u00e3o e encaminhado \u00e0 Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a para parecer.</p>\r\n<p><b>A primeira indica\u00e7\u00e3o</b></p>\r\n<p>O vereador Jos\u00e9 Bernucci Neto assinou a \"Indica\u00e7\u00e3o n\u00ba 1\", que tratava de uma preocupa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica com a infraestrutura da cidade. Ele solicitava que o fiscal distrital visitasse todos os pr\u00e9dios para identificar <b>torneiras desmanchadas<sup>4</sup></b>.</p>\r\n<p>A sess\u00e3o foi encerrada ap\u00f3s o an\u00fancio de que nenhum outro vereador desejava fazer uso da palavra, consolidando o in\u00edcio oficial das atividades do Legislativo jarinuense.</p>\r\n<p>\u00b9 Uma propriedade do Coronel Jos\u00e9 In\u00e1cio da Silveira, no Centro de Jarinu fica na rua que o homenageia. No casar\u00e3o pode se ver elementos arquitet\u00f4nicos da virada do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX e, em seus por\u00f5es o local onde os escravos permaneciam \u00e0 noite</p>\r\n<p>\u00b2 A C\u00e2mara funcionou, por um per\u00edodo, no pr\u00e9dio onde tamb\u00e9m funcionava a Prefeitura. Hoje a Casa da Cultura, na Rua Independ\u00eancia, no Centro de Jarinu.</p>\r\n<p>\u00b3 Calcular o valor exato de uma moeda de 1948 para os dias de hoje \u00e9 um desafio complexo devido \u00e0s sucessivas trocas de padr\u00e3o monet\u00e1rio no Brasil (Cruzeiro, Cruzado, Real etc.) e aos per\u00edodos de hiperinfla\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p>No entanto, utilizando \u00edndices de corre\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e comparando o poder de compra, podemos chegar a uma estimativa:</p>\r\n<p>Poder de Compra: Em 1948, 150 mil cruzeiros era uma quantia significativa para um munic\u00edpio de pequeno porte. Para se ter uma ideia, o sal\u00e1rio m\u00ednimo na \u00e9poca (que variava por regi\u00e3o) girava em torno de 300 a 400 cruzeiros.</p>\r\n<p>Estimativa em Real: Corrigindo o valor apenas pela infla\u00e7\u00e3o oficial acumulada e as convers\u00f5es de moeda, esses 150 mil cruzeiros equivaleriam hoje a algo entre R$ 250.000,00 e R$ 400.000,00.</p>\r\n<p>Embora n\u00e3o pare\u00e7a uma fortuna para os padr\u00f5es governamentais atuais, para a \u00e9poca representava um f\u00f4lego financeiro importante para obras de urbaniza\u00e7\u00e3o ou saneamento b\u00e1sico inicial.</p>\r\n<p><sup>4</sup> O termo \"torneiras desmanchadas\" pode soar estranho hoje, mas no contexto administrativo de meados do s\u00e9culo XX, ele tinha um significado muito pr\u00e1tico relacionado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e ao desperd\u00edcio.</p>\r\n<p>\"Desmanchada\" era um sin\u00f4nimo comum para algo que foi desmontado, quebrado ou cujas pe\u00e7as foram removidas (volantes, veda\u00e7\u00f5es ou \"courinhos\").</p>\r\n<p>Uma torneira desmanchada quase sempre resultava em vazamento constante. Em 1948, os sistemas de capta\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua eram rudimentares e caros. Fiscalizar isso era uma quest\u00e3o de economia de recursos p\u00fablicos e combate ao desperd\u00edcio.</p>\r\n<p>Basicamente, a C\u00e2mara estava preocupada com o estado de conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio e com a conta de \u00e1gua (ou o esfor\u00e7o de bombeamento) que esses defeitos geravam.</p>\r\n<p><b>Curiosidade Hist\u00f3rica</b></p>\r\n<p>Jarinu se emancipou politicamente de Atibaia justamente no final de 1948. Essa primeira sess\u00e3o ordin\u00e1ria marca o nascimento administrativo da cidade, onde a prioridade era justamente colocar a \"casa em ordem\", desde a sa\u00fade financeira (o empr\u00e9stimo) at\u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios que a nova Prefeitura passava a administrar.</p>\r\n<p>\u00a0</p>", "author_name": "Interlegis", "version": "1.0", "author_url": "https://www.jarinu.sp.leg.br/author/Interlegis", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal Jarinu", "type": "rich"}